por Oscar D'Ambrosio


 

 



 

            Margarita Farré

 

            A comunhão do casal

 

            As esculturas da catalã Margarita Farré impressionam pelo vigor. São geralmente formas compactas femininas em que existe uma energia que parece brotar da terra, trazendo uma força vital que se faz particularmente presente na maneira como são tratados os troncos.

            As variações de posição costumam indicar um pensamento sobre a anatomia que não vê restrições em lidar com as mais diversas deformações, desde que seja mantida a referência ao corpo humano, embora, nos trabalhos abstratos, predomine a exploração do espaço como um infinito universo de caminhos materiais e visuais.

            A série Ternura, em suas três peças, trata da relação afetiva entre homem e mulher dentro da lógica presente nos trabalhos da artista, nos quais o sugerir prevalece ao dizer. Os elos entre o casal representado estão no diálogo plástico que indica uma existência marcada pelos laços sólidos presentes a cada instante.

            A idéia que prevalece é a de um bloco único, vigoroso. Os dois personagens estão associados por uma posição hierática, ou seja, contida, na qual as certezas são maiores que as incertezas e a cumplicidade torna qualquer impossibilidade possível na realização plena da vivência cotidiana que acompanha a comunhão de um casal.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

                       

 

 



 

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