por Oscar D'Ambrosio


 

 


  Nadja Venezian

 

            A composição delicada

           

            A escultura é o universo da matéria. O que cada artista atinge depende de sua confiança na própria capacidade e na forma como lida com o material. Seja em obras fixas, com partes móveis, intercambiáveis de lugar ou que podem ser fixadas em paredes, Nadja Venezian desenvolveu uma poética marcada por um delicado lirismo.

            Norte-americana de nascimento, a artista está no Brasil desde 1981. Perante a realidade social circundante, foi na escultura que encontrou uma expressão visual na qual crianças pedindo esmolas, carroceiros ou jovens atrás de vidros nos faróis de trânsito surgem com força, mas sempre em sua dimensão humana, não como ameaças.

            O segredo está na composição sutil. A escala reduzida e a busca de um aperfeiçoamento na representação do corpo humano permitem que variados setores, sejam os marginalizados ou gordinhas sensuais tenham em comum o senso de ganharem o espaço sem violência, numa integração com o entorno.

            Para Nadja, a modelagem é o elemento essencial. Cada peça é feita em busca do acabamento esmerado em cada detalhe. Desse modo, cada nova escultura que surge, seja humana ou abstrata, é o resultado de persistente diálogo com o barro em busca de sua forma ideal para manifestar um sentido do existir.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

 

 



 

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