Nadja Venezian
A composição
delicada
A escultura é o
universo da matéria. O que cada artista atinge depende de sua confiança na
própria capacidade e na forma como lida com o material. Seja em obras
fixas, com partes móveis, intercambiáveis de lugar ou que podem ser
fixadas em paredes, Nadja Venezian desenvolveu uma poética marcada por um
delicado lirismo.
Norte-americana de nascimento, a
artista está no Brasil
desde 1981.
Perante a
realidade
social circundante, foi na
escultura
que encontrou uma
expressão
visual na
qual
crianças pedindo
esmolas,
carroceiros
ou
jovens
atrás de
vidros
nos faróis de
trânsito surgem
com
força,
mas
sempre
em
sua
dimensão
humana,
não
como
ameaças.
O
segredo está na
composição
sutil. A
escala reduzida e a
busca de
um aperfeiçoamento na
representação do
corpo
humano permitem
que variados
setores, sejam os marginalizados
ou gordinhas
sensuais tenham
em
comum o
senso de ganharem o
espaço
sem
violência, numa
integração
com o entorno.
Para Nadja, a modelagem é o
elemento
essencial.
Cada
peça é
feita
em
busca do acabamento esmerado
em
cada
detalhe. Desse
modo,
cada
nova
escultura
que surge, seja
humana
ou
abstrata, é o
resultado de
persistente
diálogo
com o
barro
em
busca de
sua
forma
ideal
para manifestar um
sentido do
existir.
Oscar D’Ambrosio, jornalista
e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UNESP, integra a
Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).