por Oscar D'Ambrosio


 

 


Eliana Zoudine Joppert: cerâmica ao alcance de todos


O universo da cerâmica tem muito de magia e alquimia. Isso não significa que ele seja inacessível ou restrito apenas a iniciados. Muito pelo contrário, cabe aos artistas que lidam com a técnica ter a generosidade de ensinar processos, compartilhando-os e inclusive desmistificando cada uma deles.

A exposição de Eliana Zoudine Joppert na sede da Arpa apresenta essa riqueza de abordagens. Trata-se de um conjunto de peças utilitárias, sendo que cada uma tem uma história peculiar, regida por um princípio de concepção e de realização. Em comum, está a não-utilização do torno na modelagem.

Outro elemento importante é o fato de haver sempre uma primeira queima (a do biscoito), que serve para transformar a argila em cerâmica, tornando-a permanentemente dura. Posteriormente ocorre a esmaltação e uma segunda queima, em uma temperatura mais alta. Tal procedimento contribui para um melhor resultado e acabamento.

Eliana gosta da experimentação e da pesquisa. Praticamente autodidata, encontra, por exemplo, na cozinha, texturas de numerosos elementos com os quais pode trabalhar sobre as placas de argila, como alimentos em grãos, pés de mesa, toalhas ou outros objetos, sempre levando em conta a sua reação à queima no forno.

Moldes de gesso, argila líquida, paper clay (massa cerâmica elaborada a partir da reciclagem de argilas e papéis), folhas dos mais variados tipos que podemos encontrar num jardim caseiro ou na rua, colares, limpa-pés, transferência de imagens e boa parte do mundo orgânico podem ser desenvolvidos sobre a argila e queimados na seqüência.

O grau de umidade da argila, assim como a temperatura do forno, é uma importante variável a ser considerada, mas não se trata de um segredo inexpugnável. Trata-se de um conhecimento acessível que a ceramista está sempre disposta a dividir com quem a procura.

O fundamental é ter disposição, criatividade e imaginação. Juntando esses pressupostos, torna-se possível enveredar por uma caminhada marcada essencialmente pelo desejo de viajar na cerâmica como uma técnica acessível, mas que exige dedicação. É uma arte que se distingue pela capacidade de literalmente colocar as mãos na massa – e de sonhar.



Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).


 

 



 

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