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Eliana Zoudine
Joppert: cerâmica ao alcance de todos
O universo da cerâmica tem muito de magia e alquimia. Isso não significa
que ele seja inacessível ou restrito apenas a iniciados. Muito pelo
contrário, cabe aos artistas que lidam com a técnica ter a generosidade
de ensinar processos, compartilhando-os e inclusive desmistificando cada
uma deles.
A exposição de Eliana Zoudine Joppert na sede da Arpa apresenta essa
riqueza de abordagens. Trata-se de um conjunto de peças utilitárias,
sendo que cada uma tem uma história peculiar, regida por um princípio de
concepção e de realização. Em comum, está a não-utilização do torno na
modelagem.
Outro elemento importante é o fato de haver sempre uma primeira queima
(a do biscoito), que serve para transformar a argila em cerâmica,
tornando-a permanentemente dura. Posteriormente ocorre a esmaltação e
uma segunda queima, em uma temperatura mais alta. Tal procedimento
contribui para um melhor resultado e acabamento.
Eliana gosta da experimentação e da pesquisa. Praticamente autodidata,
encontra, por exemplo, na cozinha, texturas de numerosos elementos com
os quais pode trabalhar sobre as placas de argila, como alimentos em
grãos, pés de mesa, toalhas ou outros objetos, sempre levando em conta a
sua reação à queima no forno.
Moldes de gesso, argila líquida, paper clay (massa cerâmica elaborada a
partir da reciclagem de argilas e papéis), folhas dos mais variados
tipos que podemos encontrar num jardim caseiro ou na rua, colares,
limpa-pés, transferência de imagens e boa parte do mundo orgânico podem
ser desenvolvidos sobre a argila e queimados na seqüência.
O grau de umidade da argila, assim como a temperatura do forno, é uma
importante variável a ser considerada, mas não se trata de um segredo
inexpugnável. Trata-se de um conhecimento acessível que a ceramista está
sempre disposta a dividir com quem a procura.
O fundamental é ter disposição, criatividade e imaginação. Juntando
esses pressupostos, torna-se possível enveredar por uma caminhada
marcada essencialmente pelo desejo de viajar na cerâmica como uma
técnica acessível, mas que exige dedicação. É uma arte que se distingue
pela capacidade de literalmente colocar as mãos na massa – e de sonhar.
Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de
Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-
Seção Brasil).
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