por Oscar D'Ambrosio


 

 


A arte do propiciar, de Lilian Arbex

 

            A exposição Estações de Minas, da aquarelista Lilian Arbex, constitui um universo de propiciar sensações. O ponto de partida de sua jornada visual são os locais de parada das Marias-Fumaças em Minas Gerais, mas seu fim de linha está na esmerada construção plástica presente nos principais trabalhos.

            Maria-Fumaça 42 e Sonhos mineiros, por exemplo, ao partir de detalhes das locomotivas, por meio das transparências, atingem uma atmosfera próxima à da arte abstrata. O referente se dilui em nome das camadas de cores que se sobrepõem.

            A visão das diversas estações, assim como dos seus entornos, ora com casarios dispersos, outras vezes com edifícios e referências urbanas, gera no observador uma reflexão sobre o passado desses lugares e a sua expressão presente.

            A fusão entre a fumaça das chaminés e a verticalidade das palmeiras cria climas diversos, próximos ou distantes das estações reais. A horizontalidade dos edifícios também dialoga com os comboios que percorrem as veredas mineiras.

            O elo entre o passado, o presente e o futuro, nessas imagens, está, respectivamente, no saudosismo das máquinas semimortas, nas estações, algumas mais e melhor conservadas do que outras, e nas crianças que brincam entre os vagões e os trilhos.

            A arte de Lílian Arbex propicia então elos entre diversos tempos e espaços. Suas estações mineiras geram uma nova visão desses mundos. Criam uma atmosfera de lembranças, preservação de memória e índices de futuro, tão próximo de nós que o construímos a cada instante.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

 

 



 

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