por Oscar D'Ambrosio


 

 


A arte da forma de Marcos Garrot

 

            Os relevos, esculturas e pinturas do artista plástico Marcos Garrot apresentam um intenso ludismo que cativa o observador. Suas numerosas variações em ferro pintado e tela, às vezes, com interferências de outros materiais, permitem o desenvolvimento de numerosas variações a partir de figuras geométricas, como retângulos e triângulos.

O resultado surge em tons que percorrem do negro ao branco, passando por tonalidades mais ocres, como marrons e dourados, além da recente incorporação de nuances de verde e laranja, sempre com a importante participação da luminosidade como recurso que transforma cada obra.

            A capacidade do artista de surpreender o leva a transformar o que poderia ser um rígido construtivismo num jogo de cores e luzes pleno de vida. Sucessivos processos criativos dão às formas ampla relevância, já que o desdobramento das figuras geométricas gera numerosas possibilidades estéticas.

Garrot concebe suas esculturas e relevos de parede a partir de pesquisas estéticas focadas no uso de texturas, na presença ou na ausência de cores e na utilização de diversos materiais, como o ferro, o aço inox e a madeira. As chapas de ferro, por exemplo, são dobradas em diversos graus, gerando variados efeitos de luz e cor.

O mesmo recurso vale para o aço inox escovado, enquanto a dolomita é usada como recurso para atingir as texturas desejadas. A geometria cadenciada e as modulações próprias de cada material tornam assim possível a criação de ritmos, instaurando um universo de tensão entre a contenção do pensamento e a explosão da visualidade.

A combinação entre êxtase estético e reflexão existencial permite atingir diferenciais, como a qualidade plástica e o acabamento esmerado. Trata-se de uma jornada caracterizada pela inquietação, pela necessidade de buscar o novo e pela satisfação de criar surpresas. O resultado é visto como um passo para iniciar um novo processo de pesquisa.

            Cada obra torna-se um desafio e uma possibilidade de aprimoramento visual, técnico e conceitual. É no aprofundar de um caminho, sem deixar de lado investigações paralelas, que a trajetória do artista dirige-se a um reconhecimento do público e da crítica especializada.

O artista plástico Marcos Garrot estrutura assim sua lúdica capacidade de construir formas, num processo que dá uma certeza: o grande mistério da arte é justamente encontrar o ponto em que seja possível tocar o âmago das pessoas sem se render a uma beleza sem conteúdo.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil). Responsável pela página www.artcanal.com.br/oscardambrosio, é autor, entre outros, de Caminhos possíveis (Auderi Martins Projetos de Arte, JOB Editora, no prelo) e Contando a arte de Garrot (Noovha América Editora, 2007), ambos sobre o artista plástico Marcos Garrot.  

 

 

 



 

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