por Oscar D'Ambrosio


 

 


Alex Hornest, arte brasileira de padrão internacional

 

            O registro em livro do artista plástico Onesto (146 páginas ; Zupi Editora ) é uma das facetas de Alex Hornest, que criou a Crew 72 D.I.E.S.E.L. (72 Delinqüentes Infantis Especialistas Sobre Estilo Livre ), universo que inclui esse número de assinaturas com as quais ele executa o seu trabalho gráfico sobra muros não em São Paulo , mas em outras cidades brasileiras e no exterior .

            A publicação mostra o conjunto da arte de rua realizada pelo artista e se torna um documento de muito valor para acompanhar as futuras transformações que vão ocorrer em sua obra . Ele promete não abandonar as ruas , mas sabe que as mostras galerias demandam um outro tipo de pesquisa visual .

            Não se trata de deixar de ser ele mesmo , mas de procurar um aprimoramento em duas frentes . A primeira é a pintura . O trabalho em lona ou tela exige uma construção maior dos fundos e um desenvolvimento menos narrativo e mais voltado para a elaboração de suas figuras .

            Esse processo vem apresentando uma passagem muito rápida em um curto espaço de tempo . É fácil entender como isso ocorre quando se verifica a dedicação de Onesto. Do mesmo modo que aprendeu a realizar um grafite de arte com elevada qualidade vendo os outros , freqüenta ateliês em busca de constante aprimoramento .

            A segunda vertente é o trabalho com o tridimensional . teve experiência como monitor do artista Lucio Bittencourt, que se apropria de sucatas para produzir as suas esculturas . A partir dali e de alguns estudos anteriores , vem percebendo que seus personagens em suas dimensões podem ganhar o espaço .

            Onesto geralmente faz figuras brancas com contornos pretos. A tendência, no entanto, é que essas linhas se tornem cada vez mais finas, o que o afasta progressivamente do desenho e o coloca numa perspectiva de pintura que alie criatividade com qualidade técnica.

            Outro desafio é colocar na mesma imagem uma seqüência de ações de um mesmo personagem. Esse recurso, que funciona maravilhosamente em muros, principalmente de grandes dimensões, demanda um outro pensamento na tela. Muito mais que uma adequação é uma diferente forma de pensar que se impõe.

            Surgem assim máquinas do mundo que parecem geladeiras, uma linguagem muito própria. Essas imagens em bloco atraem o artista, seja sobre a lona ou em esculturas. Essas massas que ele imagina podem resultar em poderoso efeito visual dentro dos mais diversos tipos de galerias no Brasil e no exterior.

            O artista, que já fez muitos trabalhos sobre compensados de madeira e outros suportes que encontrava em suas andanças como artista de rua, está cada vez mais direcionando a construção de uma obra plástica que dialoga com o universo do qual se originou, mas que busca uma densidade técnica e temática constante.

            Ler o livro de Onesto é dimensionar o que ele faz hoje e o que poderá fazer tanto no futuro próximo como no distante . Conhecer seu processo de construção visual ao longo do tempo é uma obrigação para quem deseja pesquisar os primeiros anos da carreira de uma forte e inquieta promessa de padrão internacional da arte brasileira .

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

 

 



 

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