A
arte
abstrata
não existe
Um dos
grandes
desafios da
arte
contemporânea é se
libertar dos
rótulos.
Antes de se
preocupar
em
pesquisar
novas visualidades e
técnicas,
muitos
jovens desejam se
enquadrar
dentro de alguma
tendência,
estilo
ou
nomenclatura
como se fosse
um
bote
salva-vidas
para a
construção de uma
carreira
plástica.
A
proposta desta
exposição,
que tem participação dos
artistas
plásticos Admir Gavira, Alexandre Bernardes,
Helena Carvalhosa, Ilka Lemos e Maria João
Hesseborn, é
revisitar o
próprio
termo
arte
abstrata, muitas
vezes dividida
em
lírica e
geométrica, e aplicado, na
maior
parte dos
casos,
para aquelas
representações
visuais
que
não apresentam,
em
diversos
suportes,
objetos
visualmente reconhecíveis.
Relações
entre
cores,
linhas e
superfícies bastar-se-iam
em
si mesmas na
criação de
objetos
plásticos.
A
questão a
ser discutida é
como
mesmo a
arte
chamada
abstrata
comporta, de
um
modo
ou de
outro, uma figuração,
já
que
parte de
um
modo
ou de
outro do
mundo reconhecível e,
em
relação ao
observador,
sempre existem
comentários
que buscam
relacionar
aquilo
que se
vê
em
termos de
resultado
plástico
com
algo encontrável no
mundo
real,
como
um
horizonte,
um
objeto, uma
figura
humana
ou
um
animal.
Cabe
ainda
discutir
como,
sob a
máscara do “não
representacional”,
alguns
artistas escondem a
falta de
recurso
técnico
ou camuflam
momentos de
vazio
criativo. O
fato é
que a
arte,
em
seu
sentido maiúsculo,
não
precisa
estar numa
prateleira de
supermercado
com uma
etiqueta
que facilite
sua catalogação
em
museus,
exposição
em
galerias de
arte
ou
consumo
por
parte do
público.
Ela se faz na
prática
cotidiana e no
desenvolvimento de uma
educação e
um
conhecimento
visual
que supera
denominações simplistas e se concretiza no
aprimoramento
técnico
constante. Nesse
sentido, a
arte
abstrata
não existe. É
um
conceito
talvez
tão
abstrato e
vago
como o
tipo de
arte
que
ele
deseja
delimitar.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista, é
mestre
em
Artes
Visuais
pelo
Instituto de
Artes (IA) da UNESP,
campus de
São Paulo e integra a
Associação
Internacional de
Críticos de
Arte (AICA-Seção Brasil).