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Fernando
Durão
A alegria das formas
Uma das principais
características da arte contemporânea é a busca de respostas cada
vez mais criativas para os mais variados desafios da visualidade. Isso
significa estar alerta para captar, com sensibilidade e talento,
distintas maneiras de
expressão, seja na procura de materiais ou na articulação das
estruturas da composição.
Na
exposição
Geometria
sagrada
,
em
2009, Fernando
Durão
, nascido no
Porto
, Portugal,
em
1952, e radicado no Brasil
desde
1969, apresenta uma de
suas
constantes
particularidades
: o
olhar
atento
para
as
formas
e
para
a
potencialidade
que
elas
têm a
partir
dos
mais
diferentes
contextos
.
Ao
longo
de
sua
carreira
,
com
diversas
técnicas
,
ele
sempre
teve na
geometria
uma
informação
importante
. Ao
lidar
com
elementos
de
plástico
e
metal
, a serem utilizados
em
bijuterias
,
como
brincos
, anéis e
pulseiras
femininas, o
artista
começa
a
discutir
as possibilidades de
aproveitamento
dessas matérias-primas de uma
maneira
peculiar
.
Não
se
trata
apenas
de
ter
imaginação
,
mas
de
buscar
densidade
na
pesquisa
. A
construção
de
pequenos
painéis
com
predomínio
da
geometria
,
pelo
uso
de
peças
na
forma
de
quadrados
,
retângulos
,
triângulos
e
círculos
, se
completa
pela
elaboração
de
composições
em
que
a
arte
se dá
principalmente
pela
habilidade
de
ver
como
a
escolha
de
seqüências
constitui uma
festa
para
o
olhar
.
A
mostra
é
um
universo
alegre
de
figuras
geométricas. O
sábio
uso
das
cores
e a
combinação
de
estruturas
geram uma
satisfação
no
espírito
marcado
por
certo
estado
de
graça
, seja
pela
descontração
possível
ao
contemplar
cada
trabalho
, seja na
observação
atenta
e
quase
mística
de
ver
os
caminhos
apontados
por
cada
geometria
selecionada
.
Durão, que teve o privilégio
de freqüentar ateliês de expoentes do primeiro quilate da arte geométrica
– como Lothar Charoux, Hercules Barsotti, Hermelindo Fiaminghi, Luis
Saciloto e Odetto Guersoni –, lança neste começo de século um
olhar renovado sobre as formas com o ludismo responsável de um
artista sério e compenetrado, mas adepto da alegria de viver.
Oscar
D’Ambrosio, jornalista e mestre
em Artes Visuais
pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional
de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).
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