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"Muito Antes de 1500..."
Há milhões de anos corriam rios caudelosos polindo e
arrastando as pedras de um local mágico e fantástico
situado ao norte de Brasília, próximo à cidade de Alto
Paraíso - "Vale da Lua"
Arqueólogos e especialista de área como antropologia,
geografia e estudiosos da pré-história há muito consideram
o Centro-Oeste brasileiro uma das mais antigas regiões da
América do Sul. A eterna curiosidade do homem levou-o a
pesquisar o seu "ao redor" e, quase sem querer foram
redescoberta grutas profundas e misteriosas, cavernas
repletas de desenhos de signos e símbolos cujos
significados começam a ser avidamente pesquisados. E,
embora não se possa precisar a existência humana na
região, estudos recentes resultam em achados indicativos
de datas entre 10 e 12 mil anos antes do florescimento da
cultura ocidental, com as grandes navegações e a chegada
ao"Novo Mundo"
Não é necessário grande esforço para imaginarmos que
aqui, no coração do País, houve vida, antes mesmo
daquelas mais remotas de conhecimento de nossa história.
A"viagem" ficou por conta das cabeças de pedra que
resgatam o conceito metafórico de memória do som, da luz
e até mesmo do cheiro, já que, em cada uma pode-se
observar a referência a todos ou quase todos os sentidos -
na medida em que se evoca, em cada pedra, as memórias
sensoriais do tempo. A intenção é levar o público
espectador a utilizar seus próprios sentidos, com vistas à
melhor percepção de cada peça.
As "Cabeças do Tempo", portanto, são apresentadas como
uma sátira a autocracia, rechaçando, paralelamentee numa
crítica aos excessos do poder e de comandos arbitrários,
governantes e pais - é como se as cabeças maiores ( sem
boca), devessem ouvir e prestar mais atenção ao que lhes
é dito pelas cabeças menores ( com bocas, linguas às veses, orelhas e narizes),
que significam as crianças e/ ou minorias.
Ainda que impulsionada a falar do Vale da Lua ( há bastante
tempo minha grande paixão), não se pode explicar o
mistério e o encantamento desse trabalho que espero fale
por si com magia idêntica àquela com que fui enfeitiçada e
arrebatada ao contato de cada milímetro desse lugar
quase-sagrado.
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